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Segunda noite do festival PercPan destaca mulheres na percussão

domingo, 27.07 12h11
Folha de São Paulo – ilustrada

Na segunda noite da 20ª edição do festival PercPan (Panorama Percussivo Mundial), neste sábado (26), o Pelourinho, em Salvador, foi espaço de uma festa que uniu Brasil, Espanha e Guiné. Como ligação entre os países, o trabalho de mulheres que, apoiadas na percussão, firmam seu espaço na música.

Pontualmente às 20h, na praça da Cruz Caída, foi dada a largada da celebração. A série de shows se estendeu até perto das 23h sem qualquer pausa entre as apresentações.

Nesta edição do festival, ao ar livre e gratuita, os grupos sempre se encontram no palco para uma ou duas músicas juntos antes de passarem o espaço ao outro, sem deixar nenhuma pausa. O formato tem prendido a atenção do público, que só se dispersa, em parte, quando caem pancadas de chuva.

Neste sábado, o nome forte de Margareth Menezes também deve ter ajudado a manter a atenção do público. A cantora baiana fez as vezes de mestre de cerimônia e, sem uma apresentação própria completa, participou pontualmente em diversas músicas das convidadas, sempre fazendo o show crescer em animação na plateia.

Vindas da Galícia (região do noroeste da Espanha), as cinco integrantes do grupo Leilía abriram a noite entoando em coro músicas típicas do repertório feminino regional —tradição que se aproxima da das cantadeiras brasileiras.

A língua galega, que guarda muitas semelhanças com o português, contribuiu para que o show virasse também uma espécie de aula do grupo, que há 25 anos pesquisa cantos e instrumentos da região.

Falando com a plateia, as integrantes apresentaram, além de pandeiros de tamanhos variados, instrumentos improvisados. Uma enxada tocada com uma pedra, uma chave escorregando na lateral de uma frigideira, uma lata grande de metal, duas colheres de pau ou duas conchas de vieiras se chocando, tudo serve à percussão.

Uma procissão de Sant’Ana, cuja festa é comemorada em 26 de julho, fez a passagem entre Leilía e as Ganhadeiras de Itapuã. O grupo tradicional baiano subiu ao palco com uma imagem da santa.

A apresentação das Ganhadeiras formou rodas para dançar samba também na plateia, que se animou ainda mais na entrada de Margareth Menezes, encarregada da transição com a Banda Didá, de Salvador.

Formada em 1993, a banda se destaca por ter somente mulheres negras tocando tambores. “Essa banda é de um tempo em que as mulheres não tocavam tambores”, destacou uma das cantoras do grupo no início do show, exaltando o figura de Neguinho do Samba, idealizador da Didá e precursor do samba reggae.

No meio da apresentação da Didá, uma chuva forte provocou a debandada de parte do público. Para quem não ligou para a chuva, tanto melhor: se fartou com mais espaço para dançar.

BATIDAS DA GUINÉ

A cantora Sayon Bamba, acompanhada da Orquestra Obìnrin —formada especialmente para esta edição do PercPan pelo maestro Letieres Leite—, pegou o público entregue bem aquecido pela Didá. Com Margareth Menezes, Sayon abriu o show cantando o hit “Dandalunda”, célebre na voz da baiana.

Nascida na Guiné e hoje morando na França, a cantora de voz potente impressiona também pela desenvoltura ao dançar afrobeat, reggae e funk, entre outros ritmos.

No fim de noite, a integração proposta pela programação foi concretizada em cena: o palco ficou completamente lotado para uma parceria entre todas as mulheres convidadas.

Já neste domingo (27), a linha que costura os shows será a da mistura entre tradição e artistas modernos.

Veja a programação do festival para este domingo:

– Aguidavi do Jeje (Bahia)

– Márcio Victor e Samba Chula de São Braz (Bahia)

– Percussivo Mundo Novo (Bahia)

– Gabi Guedes (Bahia) e DJ Cia (São Paulo) convidam Opanijé, Nelson Maca, Jorjão Bafafé, João Teoria e Simples Rap’ortagem. Com participação especial de Preto Nando (Maranhão), Zé Brown (Pernambuco), Kalyne Lima (Paraíba)

– Marcelo D2 (Rio de Janeiro)

PERCPAN

QUANDO neste domingo (27), às 19h

ONDE praça da Cruz Caída, Pelourinho, Salvador

QUANTO grátis

CLASSIFICAÇÃO livre

A Banda Didá, composta só por mulheres tocando tambores, no PercPan, no Pelourinho (Foto: Marcos Hermes/Divulgação)

 

A cantora Sayon Bamba, da Guiné, durante show no festival PercPan (Foto: Marcos Hermes/Divulgação)

 

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