1999

NACIONAIS
Carlos Tarcha, Dalga Larrondo, Egberto Gismonti e Índios Caiamurás, Evocação a Pernambuco, Maria Bethânia, Zeca Baleiro e Tambores de Crioula.

INTERNACIONAIS
Ayabonmbe Haiti, Silvercloud Singers EUA, Techno Suggestion EUA, Tambores do Burundi Burundi, Zakir Hussain Índia.

LOCAL Bahia

DIREÇÃO ARTÍSTICA / CURADORIA
Naná Vasconcelos e Gilberto Gil

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PANORAMA PERCUSSIVO MUNDIAL
Salvador volta a transforma-se em capital mundial de percussão, O VI Perc Pan (Panorama Percussivo Mundial) traz para a capital baiana, que está fazendo 450 anos de fundada, de 24 a 27 de março, nomes de peso no cenário internacional. O indiano Zakir Hussain, o grupo africano Tambores do Burundi e o grupo indígena norte-americano Silvercloud Singers estão entre as atrações da edição deste ano, que também destaca o pianista Egberto Gismonti e os cantores Maria Bethânia e Zeca Baleiro.
Idealizado, desenvolvido e produzido pela socióloga baiana Elisabeth Caires, da Beth Cayres Produções Artísticas, o festival é patrocinado pelo Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria da Cultura e Turismo/Fundação Cultural, e pela Copene (Companhia Petroquímica do Nordeste S.A.), via FazCultura.
Desde sua primeira edição, em 1994, o PercPan vem compondo um rico e diversificado painel da percussão mundial. O festival já trouxe ao Brasil renomados músicos e artistas de mais de 20 países, como o grupo cubano Los Muñequitos de Matanzas, o percussionista senegalês Doudou Rose, a dançarina e atriz italiana Alessandra Belloni, o percussionista indiano Trilok Gurtu, o grupo japonês Wadaiko Yamato e o sapateador norte-americano Savion Glover, entre outros.
Além da costumeira repercussão nos principais meios de comunicação de todo o Brasil, no ano passado o PercPan também foi motivo de longas reportagens em alguns dos jornais mais influentes do mundo.
A sua “programação vigorosa e coerente” foi incensada pelos diários franceses Le Monde e Libération e ganhou nada menos que três páginas inteiras no New York Times, sendo uma delas a capa do suplemento dominical “Arts & Leisure”, o caderno cultural mais importante da América.
O VI PercPan traz novidades em seu formato. Além dos já tradicionais programas musicais no Teatro Castro Alves, o evento terá uma cerimônia de abertura bem diferente das anteriores. A Noite dos Tambores Silenciosos reunirá, ao ar livre, na praça Campo Grande, músicos e dançarinos dos blocos afros Malê e Muzenza, atores da Cia. Teatro dos Novos (Olodum), índios e camaiurás e integrantes dos grupos Tambores de Crioula do Maranhão e Issucatasom, num misto de celebração, ritual e ópera. A parte cênica da festa da abertura terá a assinatura do premiado diretor teatral Márcio Meirelles, enquanto a direção artística do evento estará, mais uma vez, sob o comando de Gilberto Gil e Naná Vasconcelos.
A programação deste ano conta finalmente com a presença dos Tambores do Burundi. Convidados para as duas últimas edições do Festival, eles não puderam vir em consequência dos conflitos internos no Burundi, um pequeno país da África Central. Seus tambores são capazes de levar as platéias ao transe.
Outra atração especial é o indiano Zahir Hussain, que vai se apresentar com um grupo de mestres da percussão de seu país. Autor da trilha sonora do filme O Pequeno Buda, de Bernardo Bertolucci, Hussain vive nos EUA desde 1970. Entre os vários prêmios que já recebeu está um Grammy, graças ao disco Planet Drum, considerado o melhor álbum de world music em 1992. Além de ter integrado o famoso grupo Shakti, ao lado de John McLaughlin e L. Shankar, Hussain já tocou com George Harrison, Van Morrison e Tito Puente, entre outros medalhões musicais.
“No ano passado, reclamaram que não havia techno na programação do festival” lembra Naná Vasconcelos. A resposta do diretor artístico vem nesta edição, com o trio Techno Suggestion, formado especialmente para a ocasião. Com a proposta de misturar a percussão tradicional com recursos eletrônicos, o próprio Naná, mais o brasileiro (radicado nos EUA) Cyro Baptista e o norte-americano Leon Gruenbaum, promete experiências modernas, e, ao que tudo indica, polêmicas.
Fusões musicais também orientam o trabalho do grupo Ayabonmbe, formado por haitianos radicados em Miami (EUA). Violões, vocais e muita percussão embalam sua hipnótica combinação de ritmos africanos e do Haiti, com influências de reggae, rock e rhythm & blues. Uma fórmula explosiva e dançante que rendeu ao grupo um convite para abrir concertos dos Rolling Stones.
A exemplo de edições anteriores do PercPan, que destacaram astro da música popular brasileira, como Caetano Veloso, Milton Nascimento, Gal Costa, Zeca Pagodinho e Dona Ivone Lara, houve, mais uma vez, a preocupação de equilibrar a programação. A presença de Maria Bethânia busca aproximar o festival do grande público. Além de interpretar canções de seu novo disco – A Força que Nunca Seca, lançado no final de fevereiro –, a cantora mostra um trabalho inédito, inspirado no samba-de-roda do Recôncavo baiano.
Numa linha semelhante, o cantor e compositor Zeca Baleiro estará acompanhado pelos 22 músicos e dançarinos do Tambores de Crioula do Maranhão. Já o pianista Egberto Gismonti terá a seu lado os instrumentos dos índios camaiurás, comandados pelo pajé Sapaim.
O elenco nacional inclui, ainda, Carlos Tarcha e Dalga Larrondo, respeitados percussionistas que atuam na área da música erudita e contemporânea. Completa o elenco deste ano o grupo Evocação, com músicos pernambucanos, formado especialmente para a ocasião.
Os já tradicionais e disputados workshops gratuitos do PercPan também voltam a acontecer nesta edição. Músicos profissionais e estudiosos da área de Antropologia terão a chance de absorver um pouco da experiência e das técnicas dos percussionistas escalados para o festival.

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